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Tratamento do câncer - boas notícias

Autor: André Murad

Doença é a segunda causa das mortes em Minas: André Murad – Médico oncologista, doutor em gastroenterologia, coordenador da Disciplina e do Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da UFMG.

Quando o assunto é câncer as informações giram sempre em torno de índices alarmantes e de estatísticas negativas. Mas, felizmente, nem todas as notícias são lamentáveis neste campo da medicina. Temos boas novidades para comemorar, sábado, 27, o Dia Nacional de Combate ao Câncer. As descobertas foram anunciadas em recente congresso em Milão, na Itália, e merecem ser compartilhadas com toda a sociedade. Especialistas de todo o mundo reunidos no 35º Congresso da European Society for Medical Oncology tiveram acesso a dois grandes avanços da medicina no tratamento de câncer de pulmão – quarto mais frequente na população brasileira – e de próstata – primeiro na população masculina.
A prevenção é, e sempre será, o melhor remédio. No entanto, os excelentes resultados obtidos em testes e pesquisas com novos hormônios e medicamentos devem ser comemorados e disseminados para conhecimento da população e aplicabilidade da comunidade científica.
A esperança de maior qualidade de vida e de aumento da sobrevida para os pacientes com câncer de pulmão vem pelos novos medicamentos (os chamados agentes alvo-moleculares, alvo-específicos ou biológico-moleculares) que começaram a ser empregados como terapia de primeira linha, ou seja, antes mesmo da quimioterapia em pacientes com tipo específico de câncer de pulmão.
Esse procedimento estendeu para mais de um ano o tempo de sobrevida livre de progressão da doença, o que significou uma sobrevida quase três vezes maior que a dos pacientes tratados com quimioterapia tradicional. Os agentes atuam bloqueando ou inibindo a produção de fatores e substâncias responsáveis pelo crescimento exagerado das células tumorais, mas não das células normais, o que faz com que o tratamento seja muito mais específico e menos tóxico.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 28 mil casos de câncer de pulmão aparecem por ano no Brasil.
Já nos casos de pacientes com câncer de próstata avançado, a atualização chega com um novo agente hormonal, a Abiraterona. Os ótimos resultados alcançados com o uso da substância incluem redução de 35% no risco de morte e aumento de 36% na sobrevivência média comparada com o placebo. O hormônio foi testado com sucesso em pacientes refratários aos agentes hormonais tradicionais e até mesmo em quimioterápicos, resultando em prolongamento da sobrevida dessas pessoas. Dados atuais do Inca mostram que 52 mil casos de câncer de próstata são constatados anualmente no país.
Em Minas, dobrou o número de mortes por tumores entre 1998 e 2007, sendo próstata, pulmão e estômago entre os homens e mama, estômago e pulmão, entre as mulheres. A doença já é a segunda causa de mortes no estado, atrás somente das cardiovasculares. A mortalidade subiu de 6,5% para 14,6% e este ano o número de casos deve ser de 46,6 mil entre os mineiros, sendo 23,7 mil em mulheres e 22,8 mil em homens. A população ainda aposta pouco na prevenção. Hábitos saudáveis e medicina atualizada também fazem parte da nossa luta diária no combate à doença e na qualidade e prolongamento de vida dos pacientes.