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30/10/2018

Santa Casa de Passos Realiza Primeiro Transplante Renal

Teve alta na tarde da última segunda-feira, 29, a primeira paciente a receber um rim transplantado na Santa Casa de Misericórdia de Passos. O procedimento foi realizado no dia 10 de outubro último, na paciente Silvana Helena de Oliveira, 45 anos, que teve seus rins doentes substituídos por um rim saudável.


A cirurgia, que durou cerca de quatro horas, foi realizada pela equipe comandada pelo nefrologista da Santa Casa, Tomás Carvalho e formada pelos médicos André Martins, Cleiton Piotto Assunção, Sérgio Medeiros e Sérgio Vargas. No mesmo dia foi realizado um segundo transplante, porém o procedimento apresentou intercorrências vasculares e teve que ser interrompido. Segundo a equipe, esse é um risco inerente ao transplante renal, mas o paciente passa bem e já retomou o tratamento.
Essa é a primeira vez que um órgão sólido é transplantado na instituição, que até então, já realizava o trabalho de captação de órgãos para transplante por meio da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos da Santa Casa de Passos (CIHDOTT). A Santa Casa de Passos foi credenciada e habilitada a realizar transplante renal no fim do ano passado. Desde então, o hospital se preparou para ordenar todo o processo, da seleção ao acompanhamento pré e pós-cirúrgico. Após o sucesso da primeira cirurgia, a Santa Casa de Passos está pronta para o atendimento regular. “Este procedimento pioneiro teve um enorme saldo de sucesso em todas as etapas e seu resultado está sendo muito celebrado por todos. Silvana passa agora por um fase rigorosa de controle médico, a fim de evitar as complicações do período pós transplante, em especial a rejeição, o que vai demandar visitas médicas em intervalos curtos até que esse período de maior risco seja ultrapassado. O rim transplantado vai possibilitá-la retomar sua vida normal, longe das máquinas de hemodiálise que a acompanharam durante cerca de um ano, desde quando iniciou o tratamento” explicou o nefrologista Tomás Carvalho.


 A instituição possui em torno de 350 pacientes de hemodiálise, procedimento pelo qual uma máquina limpa e filtra o sangue, realizando parte do trabalho que o rim doente não pode fazer. “Para esses pacientes, o transplante representa uma grande mudança em sua vida. A Silvana, por exemplo, saía de Carmo do Rio Claro, três vezes por semana, para vir fazer sessões de hemodiálise de quatro horas. Assim, a Santa Casa de Passos deu passo enorme na incorporação de tratamentos de alta complexidade. Ter uma equipe própria de transplante renal permite um acesso mais ágil e cômodo aos pacientes que aguardam um transplante de rim na nossa região, que antes precisavam ir até Belo Horizonte ou São Paulo para fazer um transplante de rim, mas agora tem o procedimento aqui na região. Isso representa um marco na história da instituição, porque era um dos poucos procedimentos que o hospital ainda não fazia” destaca o nefrologista.


 Existem dois tipos de doadores: os doadores vivos e os doadores falecidos. Entre vivos, são feitos diversos exames para se certificar de que o doador esteja saudável e possui rins com bom funcionamento. Também é avaliado o risco da realização da cirurgia. É preciso que o doador vivo manifeste o desejo espontâneo e voluntário de ser doador. Já no caso de doadores falecidos, é preciso que tenha o diagnóstico de morte encefálica, com padrões definidos pelo Conselho Federal de Medicina. Para que a doação seja concretizada, a família do doador deve autorizar o procedimento. Por isso é importante expressar, em vida, o desejo de doar órgãos e tecidos. A recusa familiar tem sido fator determinante para que o número de doações permaneça baixo. Conforme a ABTO, de cada oito potenciais doadores de órgãos, apenas um é notificado. Ainda assim, o Brasil é o segundo país do mundo em número de transplantes realizados por ano, sendo mais de 90% pelo Sistema Público de Saúde (SUS). Hoje mais de 80% dos transplantes são realizados com sucesso, reintegrando o paciente à sociedade produtiva.


 “Fui muito bem atendida por todos os profissionais da Santa Casa. Fiquei com bastante medo, pois eu seria a primeira transplantada em Passos, mas com muita fé em Deus eu fui com o pensamento positivo, passei por vários obstáculos e nunca perdi minha fé. Sabia que um dia chegaria a minha vitória. Agradeço a Deus, aos médicos, a todos da Santa casa por ter me recebido tão bem e principalmente aos familiares do doador. Tenho fé que daqui para frente tudo continuará dando certo” relatou Silvana.


Para o provedor da Santa Casa, Vivado Soares Neto, esse serviço vai ficar marcado na história da saúde da nossa região. “Realizamos o primeiro transplante renal que fecha um ciclo de assistência ao paciente renal crônico. O hospital e a região vão se beneficiar muito com mais esse procedimento disponível. Tenho certeza que muitas pessoas terão uma mudança completa de vida, com a independência da máquina de hemodiálise para ter uma vida com qualidade”, destaca.