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04/02/2019

Dia Mundial do Câncer

Começo este texto reforçando que há poucos anos nos deparávamos com o estigma de uma doença que fatalmente estava ligada à morte. Um tempo marcado por tratamentos pouco efetivos e extremamente sofridos. Nessa época, que podemos estimar em vinte anos, não era infrequente encontrar pacientes e familiares que optavam por aguardar à morte chegar. Parecia mais digno aceitar que o paciente ficasse sem as reações do tratamento e chegasse a morte em casa. Muitos pacientes até nos diziam: “eu até faço o tratamento, mas não me fale que é câncer o que tenho”. A alcunha de “aquela doença”, que não podia ser nem mencionada. Aos poucos a sociedade foi entendendo melhor o que é a doença câncer. A medida que a informação pôde circular melhor, com os novos meios de comunicação em massa, não só a informação da morte do paciente era mencionada, mas também os que passavam pelo tratamento.


O estímulo para que os sobreviventes de um diagnóstico de tumor maligno se manifestassem diminuiu o estigma da doença. Exemplos de superação ao vencer situações adversas nos emociona. Não sei se isto é devido uma força Maior, porém nestes anos temos grande necessidade de nos colocar à prova com estes depoimentos. Apesar de muito mais frequente, é comum muitas famílias não terem vivido situações de familiares com câncer. O câncer vem se mostrando uma doença muito mais difícil de tratar que as doenças como Tuberculose, AIDS ou Dengue. Em todo o mundo, não se trata de doença do mundo desenvolvido ou do mundo em desenvolvimento. É uma pandemia, não há como negar que o número de casos vem aumentando. Vários são os motivos: estilo de vida, estresse físico e mental, poluição, hábitos alimentares, infecções por agentes cancerígenos, exposição a agentes cancerígenos no trabalho, entre outras causas. Mas nunca podemos esquecer do mais importante deles: o homem enquanto espécie está vivendo mais. O envelhecimento sozinho não fecha esta equação, mas justifica sobremaneira esta incidência.


O nosso dilema é exatamente este: hoje temos mais câncer porque temos mais saúde. Vivemos mais, por isso temos mais chance de desenvolver o câncer. Hoje morre-se menos do coração, de doenças infecciosas. Morre-se menos de fome ou de condições sub-humanas, por isso o diagnóstico de câncer não é uma constatação de que o mundo vai mal. Os diagnósticos de câncer estão muito mais eficientes. Voltando aos mesmos vinte anos atrás, eu vi instalar a primeira ressonância magnética do estado de Minas em Belo Horizonte. Os ultrassons eram verdadeiras televisões “fora do ar”. A primeira videolaparoscopia que presenciei era numa televisão de doze polegadas preto e branca, a um custo proibitivo. Hoje temos cirurgia por robótica, temos um arsenal tecnológico que não podíamos nem sonhar. O que dizer da genética e biologia molecular. Sequenciamos genes e pesquisamos proteínas como se fossem produtos de um supermercado. Exames de todas as naturezas. Os tratamentos continuam duros: os avanços são lentos. As reações adversas ainda causam sofrimentos. Tivemos que desenvolver ferramentas para medir o sofrimento, tivemos que aprender a medir a qualidade de vida e pesar o custo e o benefício dos tratamentos.


Chegamos a seguinte conclusão: tratar o câncer é caro e penoso. Descobrimos que é uma doença crônica, conviver com a doença é mais fácil se ela estiver controlada. De maneira lógica, percebemos que controlar a doença é mais fácil quanto mais precoce ele for. Tivemos que formular programas que nos permitissem descobrir o tumor mais cedo. Fomos além, desenvolvemos ferramentas para identificar o que pode causar o câncer e aprendemos a fazer campanhas para não nos expormos aos agentes que causam câncer.


Falta-nos ainda atingirmos a excelência: fazer com que estas informações sejam circuladas nas escolas e possam fazer parte da educação de nosso povo. Pois está claro que lutar contra uma doença avançada é muito mais custoso que evitá-la. Neste dia mundial do câncer de 2019 ainda venho comunicar que o Hospital Regional do Câncer de Passos e Região, agora também intitulado “Hospital da Solidariedade” tem seus pilares voltados para questões básicas de garantir o acesso a pacientes com doenças graves e em sua maioria avançada. Assisti seus pacientes com base em tratamentos como cirurgia, radioterapia, quimioterapia e cuidados paliativos. Mas gostaria que não tardasse o dia em que nosso hospital fosse procurado para ser um centro de referência em educação para se evitar o câncer, ou mesmo para detecção precoce do mesmo.